Quiet Firing: uma tendência de gestão que pode gerar riscos jurídicos para as empresa
O ambiente corporativo continua passando por profundas transformações em 2026. Após o fenômeno do quiet quitting, um novo termo ganhou destaque entre especialistas em gestão de pessoas, recursos humanos e Direito do Trabalho: o quiet firing, também conhecido como “demissão silenciosa”.
Embora o conceito tenha surgido inicialmente nas redes sociais, atualmente ele é objeto de estudos de consultorias internacionais, pesquisadores e especialistas em relações de trabalho. O motivo é simples: determinadas práticas de gestão podem gerar consequências não apenas para o clima organizacional, mas também para a reputação da empresa e para o aumento de passivos trabalhistas.
O que é Quiet Firing?
O quiet firing ocorre quando um colaborador não é formalmente desligado da empresa, mas passa a enfrentar situações que, gradualmente, o incentivam a pedir demissão.
Na prática, isso pode acontecer por meio de atitudes como:
- Retirada de projetos relevantes;
- Ausência de feedback;
- Exclusão de reuniões estratégicas;
- Redução injustificada das responsabilidades;
- Falta de oportunidades de crescimento;
- Metas incompatíveis com a realidade;
- Isolamento do profissional perante a equipe.
Em muitos casos, essas situações acontecem de forma contínua, criando um ambiente de desmotivação que leva o trabalhador a optar pelo desligamento voluntário.
Por que o Quiet Firing voltou ao centro das discussões em 2026?
As discussões sobre quiet firing ganharam força novamente em 2026 porque especialistas passaram a enxergar o fenômeno como parte de um ciclo maior de desengajamento nas organizações.
Hoje, conceitos como:
- Quiet Firing;
- Quiet Burnout;
- Quiet Cracking;
- Revenge Quitting;
são analisados em conjunto como sintomas de problemas estruturais relacionados à liderança, comunicação interna e gestão de pessoas.
Além disso, estudos recentes apontam que o baixo engajamento dos colaboradores continua sendo um dos maiores desafios enfrentados pelas empresas em todo o mundo.
Segundo o relatório State of the Global Workplace 2026, apenas 20% dos trabalhadores estavam efetivamente engajados em 2025, gerando perdas estimadas em aproximadamente US$ 10 trilhões para a economia global.
O Quiet Firing pode gerar riscos trabalhistas?
Embora o termo quiet firing não esteja previsto na legislação brasileira, determinadas práticas podem ser analisadas sob a ótica da legislação trabalhista.
Dependendo das circunstâncias do caso concreto, determinadas condutas podem estar relacionadas a discussões envolvendo:
- Assédio moral;
- Alteração lesiva das condições de trabalho;
- Discriminação;
- Violação do dever de boa-fé;
- Pedido de rescisão indireta previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Cada situação deve ser analisada individualmente, considerando provas, histórico funcional, políticas internas da empresa e comportamento das partes.
Por isso, é recomendável que empresas adotem processos claros de avaliação de desempenho e documentação das decisões relacionadas à gestão de pessoas.
Como identificar sinais de Quiet Firing?
Alguns comportamentos podem indicar que a gestão precisa ser revisada.
Entre os sinais mais comuns estão:
Falta de feedback
- O colaborador deixa de receber avaliações periódicas ou orientações sobre seu desempenho.
Exclusão de decisões importantes
- O profissional deixa de participar de reuniões, projetos ou processos estratégicos sem justificativa objetiva.
Ausência de desenvolvimento profissional
- Não existem oportunidades de treinamento, promoções ou evolução na carreira.
Mudanças constantes nas responsabilidades
- As atividades são retiradas gradualmente, reduzindo a relevância do cargo.
Comunicação insuficiente
- O gestor deixa de fornecer direcionamentos claros sobre expectativas e objetivos.
Esses fatores, isoladamente, nem sempre caracterizam irregularidades, mas exigem atenção da liderança.
Retorno ao trabalho presencial aumentou as discussões
Outro tema frequentemente associado ao quiet firing em 2026 é a adoção de políticas rígidas de retorno ao trabalho presencial.
Especialistas internacionais observaram que algumas empresas passaram a utilizar exigências de retorno integral ao escritório como forma indireta de estimular pedidos de desligamento voluntário, principalmente em equipes anteriormente remotas ou híbridas.
Essa realidade reforça a necessidade de decisões empresariais fundamentadas em critérios objetivos, comunicação transparente e respeito aos direitos dos trabalhadores.
Como as empresas podem evitar o Quiet Firing?
A melhor estratégia é investir em uma gestão preventiva.
Boas práticas incluem:
- Avaliações periódicas de desempenho;
- Feedbacks documentados;
- Critérios transparentes para promoções;
- Treinamentos para lideranças;
- Políticas internas claras;
- Programas de desenvolvimento profissional;
- Canais seguros para denúncias;
- Acompanhamento do clima organizacional.
Empresas que investem em governança trabalhista reduzem significativamente os riscos de conflitos internos e ações judiciais.
O papel da assessoria jurídica preventiva
A atuação preventiva do advogado trabalhista vai além da defesa em processos judiciais.
Uma assessoria especializada pode auxiliar na:
- Revisão de políticas internas;
- Elaboração de códigos de conduta;
- Treinamento de gestores;
- Prevenção ao assédio moral;
- Análise de procedimentos disciplinares;
- Mitigação de riscos trabalhistas;
- Fortalecimento da governança corporativa.
Com isso, a empresa reduz passivos e fortalece uma cultura organizacional mais saudável.
O quiet firing deixou de ser apenas uma expressão utilizada nas redes sociais para se tornar um importante tema de gestão empresarial e Direito do Trabalho.
Em um cenário no qual o engajamento dos colaboradores continua em queda e novas tendências de comportamento surgem continuamente, empresas que investem em transparência, liderança qualificada e conformidade jurídica tendem a reduzir riscos e fortalecer suas relações de trabalho.

